ESTUDO 4: Sobre a “Regra Áurea”.

ESTUDO 4: Sobre a "Regra Áurea".
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Mt 7:12 “Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam; pois esta é a Lei e os Profetas”.  

A orientação de Jesus no sermão do monte a respeito de como devemos tratar o próximo é conhecida como Regra Áurea, ou Regra de Ouro, tamanha a sua importância. Ela ensina, basicamente, que devemos tratar os outros da maneira como gostaríamos de ser tratados.

Imagine como o mundo seria melhor se essa fosse a regra de conduta da nossa sociedade. Seria a solução para a violência urbana, para a fome e a miséria. A quantidade de divórcios cairia vertiginosamente. O mundo seria um lugar bem mais agradável para se viver.

Contudo, a Regra Áurea está longe de ser comum no nosso cotidiano, cabendo aqui um questionamento: Se ela traz uma ideia tão simples (trate os outros como você deseja ser tratado), se praticamente todas as pessoas concordam com ela, por que, na prática, as pessoas comumente não agem assim? O apóstolo Paulo nos dá uma boa pista na busca dessa resposta:

Rm 7:21-23 ” Assim, encontro esta lei que atua em mim: Quando quero fazer o bem, o mal está junto a mim. Pois, no íntimo do meu ser tenho prazer na lei de Deus; mas vejo outra lei atuando nos membros do meu corpo, guerreando contra a lei da minha mente, tornando-me prisioneiro da lei do pecado que atua em meus membros”.

Há outra lei que se opõe à Lei de Deus e que frequentemente rege as atitudes humanas: é a lei do pecado. Ela pode assumir várias formas, como veremos abaixo. Vamos falar sobre algumas facetas da lei do pecado. Vamos refletir sobre algumas regras e leis que se contrapõem à Regra Áurea:

LEI DE GERSON

Na década de 70 o jogador Gerson, da seleção brasileira de futebol, participou de uma propaganda de cigarro onde fez uma declaração pouco feliz. Ele disse que “o importante é levar vantagem em tudo”. A frase acabou ganhando um tom pejorativo, sendo associada aos perversos e aos espertalhões, que se aproveitam da fraqueza ou da ingenuidade alheia para levar vantagem sobre outros.

Apesar do nome “Lei de Gerson”, a busca da vantagem indevida existe desde os primórdios da raça humana e continua bastante difundida no mundo moderno.

Quando uma pessoa rouba, ou mente para vender algo mais caro, ou explora a necessidade alheia, está aplicando a lei da vantagem a qualquer custo.

Essa lei se fundamenta no egoísmo e no individualismo, por isso se contrapõe à Regra Áurea, que ensina que devemos tratar o outro da mesma maneira que desejaríamos ser tratados se estivéssemos naquela situação.

REGRA DA MERITOCRACIA

De acordo com essa Regra, cada pessoa deve ser tratada como merece.

Nesse caso, é necessário fazer um prejulgamento, onde o indivíduo passa a agir como um juiz, que decidirá se o outro merece um tratamento bom ou ruim. Essa Regra também é muito comum na nossa sociedade: pessoas recebem tratamentos diferentes de acordo com seu status social, sua beleza, sua indumentária, etc.

No lado mais sombrio dessa lei estão a vingança contra quem nos fez algum mal e a violência contra quem cometeu um crime grave, como nos casos de linchamentos que algumas vezes presenciamos nos noticiários. A regra da meritocracia se choca com a Regra Áurea na medida em que nos ensina que devemos tratar bem quem nos trata bem e retribuir o mal com o mal. Já a Regra Áurea diz que devemos tratar o outro não da maneira que o outro nos trata, mas como gostaríamos de ser tratados. É um convite a sermos ativos, e não reativos. Nosso maior exemplo é o exemplo de Jesus, que ama cada pecador e até orou pelo perdão dos que lhe crucificaram. A Regra de Ouro é um convite para expressarmos a natureza de Cristo em nós, trabalhada através do Espírito Santo. Dessa forma, devemos ser bons não apenas quando alguém for bom conosco. Devemos ser bons sempre, por causa da natureza de Cristo implantada em nós.

REGRA DA INDIFERENÇA

“O que me assusta não são as ações e os gritos das pessoas más, mas a indiferença e o silêncio das pessoas boas”.
Martin Luther King. A indiferença é outra regra comum no nosso cotidiano, que também se contrapõe à Regra de Ouro por provocar omissão diante das dificuldades alheias. Essa é uma das grandes causas das mazelas do nosso mundo.
É importante lembrar que quando fazemos o bem a alguém, não somos capazes de saber até onde esse bem chegará. Algumas vezes ele pode ir bem mais longe do que imaginamos.

Quando uma pessoa é usada por Deus para ajudar alguém a ser liberto das drogas e a entregar a vida a Jesus, por exemplo, essa pessoa estará, indiretamente, ajudando também a família do novo convertido e todas as pessoas que essa nova criatura abençoar no futuro. Se ele tiver netos e bisnetos servos de Deus, aquela ajuda inicial terá contribuído para isso. Se um desses netos se tornar um missionário e for usado para a salvação de muitos, ainda será fruto daquela boa obra.

Muitas vezes até um pequeno gesto ou uma palavra de conforto podem ter uma importância bem maior do que dimensionamos.

Para o servo de Deus, o maior incentivo contra a indiferença é o exemplo de Jesus, que, mesmo sem ter vínculo algum com os nossos pecados, não foi indiferente às nossas necessidades, deixando Sua Gloria para nos resgatar. Se queremos ser mais parecidos com Jesus, devemos ter um coração disposto a abençoar os que precisam.

CONCLUSÃO

Vimos que o principal motivo para que a Regra de Ouro não seja a regra de conduta mais comum na sociedade é que a lei do pecado se contrapõe a ela, assumindo diferentes formas, como a Lei de Gerson, a Regra da Meritocracia e a Regra da Indiferença.

Essa luta não ocorre apenas na sociedade, ocorre também dentro de nossos corações. No nosso cotidiano surgirão situações em que teremos que optar entre levar vantagem sobre alguém ou tratá-lo como gostaríamos de ser tratados. Também teremos que optar entre fazer o mal para quem nos fez mal ou retribuir o mal com o bem. Surgirão situações em que o Espírito Santo nos impelirá a abandonamos a indiferença para doarmos um pouco de nós mesmos para alguém que precisa, seja com o nosso tempo, o nosso dinheiro ou a nossa atenção.

O apóstolo Paulo, que falou sobre a lei do pecado, um dia também declarou: “Não vivo mais eu, mas Cristo vive em mim”.

Que tenhamos a sabedoria e a coragem necessárias para mortificar a carne diariamente e alimentar o Espírito, a fim de expressarmos a vida de Cristo em nós a cada dia.

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