ESTUDO 5: A Capa, A Túnica e a Segunda Milha

ESTUDO 5: A Capa, A Túnica e a Segunda Milha
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Texto: Mt 5:38-42: 38 “Ouvistes que foi dito: Olho por olho e dente por dente. 39 Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra; 40 e ao que quiser pleitear contigo e tirar-te a vestimenta, larga-lhe também a capa; 41 e, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas. 42 Dá a quem te pedir e não te desvies daquele que quiser que lhe emprestes.”

 

Antes de partirmos para a compreensão do texto é importante estabelecermos um fundamento: Não estamos aqui em busca de regras, mas sim de princípios. Veja algumas diferenças entre os dois conceitos:

     Havendo estabelecido este importante fundamento podemos agora olhar para o texto bíblico em questão na busca de princípios para nossa vida no Reino de Deus. Vejamos:

V.39 – Oferecendo a outra face

Para iniciarmos faça a seguinte reflexão: Você já foi ofendido ou ferido por alguém?

Quando somos ofendidos ou feridos, especialmente quando avaliamos que a nossa honra foi atingida ou manchada tendemos uma imediata reação: A retaliação e a auto-defesa. Este é um instinto muito profundo na natureza carnal. Julgamos que temos que provar quem somos e que devemos vingar a nossa honra.

É sobre este impulso que Jesus está falando neste texto. Não estamos aqui falando que devemos ter uma atitude passiva diante da injustiça. Podemos protestar contra a injustiça nas instâncias ordeiras e corretas. No entanto o nosso anseio nestas ocasiões deve ser o bem comum e não a nossa própria defesa. Veja a atitude do Apóstolo Paulo diante da injustiça sofrida por meio de sua prisão ilegal em Éfeso. Leia Atos 16:37. O que está em questão aqui é a ilegalidade do ato praticado pelos magistrados. Ao exigir a devida reparação o Apóstolo Paulo está agindo em defesa da lei e do bem comum, e não em defesa própria.

Portanto, segundo Martyn Lloyd-Jones o princípio aqui em questão é o seguinte:

“Precisamos nos desfazer do espírito de retaliação, do desejo de nos defendermos e tirarmos vingança a respeito de qualquer ofensa ou dano que nos tiverem feito”

 

V.40 – A Capa e a Túnica

Em primeiro lugar é importante compreendermos o contexto cultural em que esta palavra é ministrada. Vejamos a ilustração abaixo:

O que está em questão aqui é a obsessão dos homens por sempre exigirem seus direitos legais. Esta observação é completamente contemporânea visto a ampla difusão do litígio em nossos dias. Você pode citar algum exemplo de causas judiciais frívolas? Qual a consequência disso para a sociedade?

O princípio aqui em questão é que somos livres da obsessão de lutar por nossos direitos legais a fim de manifestar ao mundo a graça e a misericórdia de Deus mesmo que isso implique em sofrermos algum dano, a exemplo do que fez Jesus ao encaminhar-se à cruz. Aprendemos também que o diálogo e o tratamento entre irmãos é o caminho indicado pelas escrituras para a resolução das questões. Este sempre será um caminho mais elevado que o litígio, especialmente frente a descrentes. Leia I Cor. 6:7-8

Apesar da nossa disposição em sofrer dano frente a um possível litígio a lei do amor nos impelirá a desejar ver o nosso irmão ofensor tratado e curado, pois se perseverar na prática da injustiça poder sofrer pesados danos inclusive com consequências eternas. Desta maneira devemos procurar tratar do pecado entre irmãos conforme nos ensina Mat. 18:15-17

 

  1. 41 – A Segunda Milha

Em contraste com a atitude de exigência dos seus direitos legais sempre que lhes parece conveniente é interessante notarmos que temos em nossa sociedade uma reação completamente diferente perante a lei quando esta se torna inconveniente ou pesada. Neste caso a atitude preponderante passa a ser: “Sim, estas leis foram decretadas pelo governo mas por que tenho que obedecê-las? Como posso escapar desta obrigação?

Constatamos então que esta passagem diz respeito ao ressentimento natural de um homem face às exigências que as autoridades governamentais costumam fazer.

Para entendermos o princípio aqui em questão devemos então compreender o contexto histórico desta passagem:

Israel encontra-se sob o pesado domínio de Roma que controla seu extenso território por meio de forte presença militar. Por esta razão o soldado romano chegava a caminhar 30 Km em um único dia. Além de seu armamento e fardamento pesados o soldado carregava também sua bagagem pessoal que incluía roupa, saco de dormir, suprimentos para 3 dias, utensílios para cozinhar e utensílios de higiene pessoal. Toda esta bagagem podia pesar até 45Kg. (Ver ilustração abaixo).

    

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Por esta razão o soldado romano tinha a prerrogativa legal de alistar qualquer cidadão em seu caminho para carregar sua bagagem por um espaço de até uma milha (milha romana, cerca de 1,5 km) não importando os afazeres do cidadão. É a esta legislação que Jesus se refere no verso 41.

O alvo de Jesus nesta passagem é nos livrar da tirania do ressentimento nos fazendo livres para obedecermos às exigências legais com coração voluntário e alegre, caminhando “a segunda milha”quando apenas uma nos é imposta.

O texto não exclui a possibilidade de buscarmos mudanças nas leis injustas desde que pelas vias corretas e legais , porém, como assevera Matyn Jones: “Na qualidade de crente o nosso estado mental e a nossa condição espiritual deveriam ser tais que coisa alguma nos pudesse fazer sentir ofendidos”.

Que a injustiça dos homens não aprisione o nosso coração ao ressentimento. Que o Senhor nos ajude nesta caminhada.

Reflexão: Como tenho agido quando sou ofendido por alguém?

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