ESTUDO 8: Tesouros no Céu e na Terra

ESTUDO 8: Tesouros no Céu e na Terra
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Texto: Mateus 6:19-24

Prioridades… Como são difíceis de definir! Mais ainda quando estamos atolados de tarefas e preocupações. A melhor maneira de definir prioridades é compreendendo o que de fato é importante, pois se o fizermos, seguiremos firmes. No entanto para definir a importância das coisas, precisamos refletir sobre aquilo que consideramos precioso, que reputamos como de valor.

Cristo questionou até que ponto valorizamos coisas genuinamente importantes. No Sermão do Monte, podemos ver Ele colocar, por diversas vezes, de um lado aquilo que comumente o mundo e até nós consideramos precioso, e de outro, aquilo que tem valor eterno, importância para Deus e para o Seu Reino. Acontece com a valorização da aparência (Mt. 6. 16), através de quem quer ser visto e percebido pelo seu padrão superior de religiosidade, assim como com aqueles que ostentam bens e riquezas como vemos nos textos base.

Como podemos definir o que é tesouro neste texto?

“[…] ‘Tesouros’ é um vocábulo bastante amplo que inclui muita coisa.”: como disse o Pr. Lloyd Jones. Nosso Senhor, “interessava-se aqui não tanto pelas nossas possessões, e, sim, pela nossa atitude em relação à nossas possessões”

Conclui ele. Todo nós temos “tesouros”, coisas que conquistamos: nosso nome, honra pessoal, objetivos; também coisas pelas quais prezamos: família, amigos… Em tudo isso pomos o nosso coração, que é a fonte das nossas intenções e do nosso entusiasmo. Todavia, por vezes, esquecemos da prioridade número um: a vida com Deus. Medite neste trecho da obra o Pr. Jones e perceba do que estamos falando:

Há pessoas que frequentemente se têm tornado culpadas de sérios e tristes lapsos em sua vida espiritual […] essas pessoas não se deixam tentar pelo dinheiro, mas deixam-se tentar pelo status ou pela posição social mais elevados. Se o diabo viesse e lhe oferecessem algum suborno material, rir-se-iam da oferta. Entretanto, se satanás com engodo, e, em conexão com o seu trabalho cristão, lhes oferecer uma posição exaltada, ficam persuadidos […] E imediatamente podemos observar um declínio gradual da sua autoridade e poder espirituais.

Vivemos em um mundo, cuja velocidade e competitividade são marcas claras e precisamos pensar até que ponto esse ritmo e esse sentimento não tomam conta do nosso coração. Já temos a salvação, e esse não é um tesouro que depende das nossas conquistas. Juntar tesouros nos céus, sim, e implica hoje em uma auto conquista, um auto domínio, permitindo que Deus nos conduza para uma estágio de maturidade, no qual não cabem egocentrismo nem protagonismo. Afinal, se a nossa ideia de sucesso é a evidência, tanto faz se vamos conquistar isso em um púlpito de Igreja ou aparecendo na página policial. Precisamos estar focados no que tem valor de fato.

Leia I Tim. 6. 17-19 e Jo. 6. 27. Entenda que somos “peregrinos aqui na Terra” (Hb. 11. 13), por isso Deus requer de nós posturas desapegadas, como foi a de Abraão que deixou sua terra sem pestanejar, que entregou seu filho por fé. Nada pode nos prender a este mundo, nada pode ter o lugar de Deus. Estamos buscando uma glória superior, para isso precisamos “cultivar um correto ponto de vista de nós mesmos neste mundo”, ao passo que “veremos todas essas realidades sob a perspectiva correta”. A nossa identidade é de Filhos de Deus nesta terra árida. Precisamos ser o lugar no qual as pessoas encontrem “rios de água” (Jo. 7. 38). O maior tesouro que podemos encontrar aqui na Terra é nossa identidade em Deus, mas quando nos embaraçamos neste mundo, ou a esquecemos, ou a anestesiamos. Precisamos refletir sobre isso.

Onde verdadeiramente está o nosso tesouro?

Você está aqui mesmo? Pergunte-se! Um momento de culto é um bom termômetro para perceber quais coisas o seu coração está voltado. Quais são as coisas preciosas que preenchem seu tempo, sua atenção, seu olhar. O sermão de Jesus, nesta parte, é um desafio à reflexão. Remete ao seu auto conhecimento. É meditativo e revela o coração. E como podemos ser enganados pelo nosso coração… A Bíblia revela que o nosso coração é enganoso, quando diz: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso: quem o poderá conhecer?”. (Jr. 17. 9). Há muitos textos que demonstram a prioridade da pureza da alma (ou intenção do coração) em relação a um trabalho reconhecido. Apesar de Cristo demonstrar o desejo de que os homens “vejam as nossas boas obras e glorifiquem o nosso Pai do céu” (Mt. 5. 16), ele nos fala do problema de priorizar a aparência, como os que jejuam e se mostram contristados. Era normal que os judeus ampliassem a sua expressão de tristeza usando cinzas no rosto no jejum em sinal de lamentação (Is. 61. 3). Contudo isso havia-se tornado algo que não caminhava junto com o coração.

O Apóstolo Paulo nos disse que um obreiro deve apresentar-se aprovado, íntegro e com bom manejo da Bíblia, entretanto deixa claro que devemos nos apresentar antes a Deus em vez de aos homens (I Tim. 2. 15). Pedro disse que “deveria antes agradar a Deus que aos homens” (At. 5. 29). Cristo era aprovado por Deus (“filho amado em quem Deus tinha prazer” – Mt. 3. 17), antes de realizar qualquer trabalho visível. Mais uma vez aqui, Cristo separa: de um lado os que buscam reconhecimento dos homens, de outro, os que querem a aprovação de Deus; de um lado, os que querem o glamour, de outro, os que querem a satisfação interior do dever cumprido. Não há como negar que vivemos em um tempo de apelo muito intenso sobre a necessidade de manter a aparência. Vaidade parece ter deixado de ser pecado… O sábio rei de Israel já nos dizia que esse mundo é composto de vaidade, como se pudéssemos extrair um suco e vermos que todas as coisas que plantamos, colhemos: a existência, os objetivos, as conquistas; representassem um grande caldo de orgulho (Ec. 1. 2).

Hoje isso parece estar mais claro que nunca, e a vergonha de demonstrar isso parece também ter desaparecido. Mas nunca é demais perguntar: as pessoas que buscam “louros” neste mundo, que querem vencer; o que no fundo estarão buscando? Que glória elas querem? Paulo falou de uma coroa incorruptível (que não se desfaz – 1 Cor. 9. 25). Sem dúvida esse prêmio que não apodrece, esse tesouro que não é roubado nem corroído (Mt. 6. 19), contudo há muitos que ainda buscam um chapéu de papel no lugar dessa coroa. Ninguém busca aprovação e reconhecimento sem um motivo. E todo mundo, até certo ponto, gosta de ser reconhecido por aquilo que faz e precisa de um feedback sobre o que está fazendo. Não saberemos se estamos fazendo certo se alguém não nos diz: está certo! Nem tampouco estaremos sabendo se estamos em boa direção se nossos amigos, nossos líderes espirituais nunca nos disserem: você está indo bem, é por aí mesmo, parabéns! Mas há pessoas que se alimentam disso como se a realização, a taça do campeão, fosse a evidência e o elogio dos outros. O que estará por trás disto? Nem todo que se alimenta de evidência, faz isso por mal, mas também por uma oculta necessidade de se sentir amado. Quase sempre, tal necessidade está fincada em alguma rejeição ou complexo de inferioridade. Isso precisa ser compreendido. Contudo, este problema psicológico que carece de atenção e tratamento, não pode ser alimentado, afim de que o mal não se aproveite.

Tal pessoa precisa compreender que sua busca por brilho não é dos céus, não vem de Deus, mas de si mesmo ou da sua antiga natureza influenciada pelo diabo. O brilho de Lúcifer, representado pelo ego e pela vaidade, enxergamos com olhos defeituosos e nos seduzimos por ele. O brilho de Cristo, da graça e humildade, abraçamos com um olhar vestido de humildade e temor de Deus. Por isso Cristo nos diz que nossos olhos precisam ser bons.

A bondade dos olhos da qual nos fala Cristo (Mt. 6. 22) tem a ver com olhos simples (únicos), e não defeituosos (duplos). Uma visão dupla coxeia entre Deus e as riquezas, entre a glória de Deus e a do mundo. Já temos diante dos nossos olhos, verdades divinas que nos mostram o quanto somos amados de tal maneira que não precisamos mais alimentar o nosso ego com aplausos e honras dos homens, como se isso fosse nos dizer de fato que somos amados pela plateia, esteja ela na igreja, no trabalho, na internet. Que Deus nos ajude a preparar o nosso espírito para vivermos de forma simples e sincera diante de Dele e dos homens. Que cresçamos reconhecidos e cheios de brilho, mas alimentados pelo “sol da justiça” (Ml. 4. 2). Que nos desenvolvamos com muita grandeza e beleza, mas reconhecendo que toda boa dádiva e tudo que temos vem de Deus (Tg. 1, 17). A Ele deve-se a glória, toda e sempre (Rm. 11. 33-36). Deus nos abençoe!

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