Eu e Esaú, Esaú e eu – Querendo a benção sem a responsabilidade

Eu e Esaú, Esaú e eu - Querendo a benção sem a responsabilidade

Em Hebreus 12:15-17 temos uma referência a esse curioso personagem, Esaú: “Cuidem que ninguém se exclua da graça de Deus; que nenhuma raiz de amargura brote e cause perturbação, contaminando muitos; que não haja nenhum imoral ou profano, como Esaú, que por uma única refeição vendeu os seus direitos de herança como filho mais velho. Como vocês sabem, posteriormente, quando quis herdar a bênção, foi rejeitado; e não teve como alterar a sua decisão, embora buscasse a bênção com lágrimas.

Em Gênesis 25 temos o seu histórico familiar: Filho de Isaque e Rebeca e irmão gêmeo de Jacó, Esaú era habilidoso na caça o que lhe rendeu a predileção de seu pai. Por haver nascido, ainda que instantes, antes de seu irmão, recaía sobre ele o direito da primogenitura.

Certo dia, voltando exausto e faminto de uma caçada, Esaú trocou a sua condição de primogênito com seu irmão por um prato de lentilhas. Mas afinal o que há de severo nisso? Precisamos entender o direito de primogenitura.

Na cultura de então cabia ao filho mais velho o direito de receber o dobro da porção da herança de seus irmãos, bem como uma bênção profética especial por parte de seu pai. Esse direito no entanto vinha acompanhado da responsabilidade de cuidar da família na ausência do Pai. Cabia ao primogênito cuidar de sua mãe bem como de seus irmãos até atingirem a maior idade.

É isso que vemos Jesus fazendo em Mateus 19:26-27. Em seus momentos finais, ainda que agonizante em seu sofrimento, na qualidade de filho mais velho Jesus cuida de sua mãe entregando-a aos cuidados de seu amado discípulo João que a recebe em sua casa como sua própria mãe, garantindo-lhe então a provisão necessária.

Voltando a Esaú vemos um estranho conflito em sua vida: No texto acima do livro de Hebreus bem como em Genesis 27:8 vemos claramente que Esaú desejava ardentemente a bênção e a herança de primogênito. Se ele tanto desejava essa bênção por que razão ele desprezou a sua primogenitura trocando-a por um prato de Lentilhas? É sensato concluirmos que embora ele tanto desejasse a bênção, ele aborrecia a responsabilidade.

Aqui há um alerta para nós pois há em nossos dias uma grande semelhança com Esaú no comportamento de muitos que frequentam as Igrejas: Desejam a bênção mas não querem assumir as responsabilidades.

É interessante observarmos que Esaú foi o patriarca da nação de Edom. Durante todo o percurso de Israel Edom lhe foi sempre um obstáculo e uma pedra no sapato. Semelhantemente na Igreja pessoas que buscam a bênção sem responsabilidade tornam-se em obstáculo para o crescimento espiritual dos outros. É preciso avaliar a nossa conduta.

Se desejamos a bênção de Deus precisamos também assumir a nossa responsabilidade como filhos maduros. Quero mencionar aqui duas responsabilidades básicas de todo discípulo de Jesus:

1) Cuidar de si mesmo: A primeira responsabilidade que precisamos assumir é a responsabilidade do nosso crescimento espiritual. Embora seja importante o apoio e a orientação de outros, e vamos falar mais a esse respeito abaixo, precisamos entender que o nosso crescimento espiritual é uma responsabilidade pessoal. Se eu não estou comprometido com a comunhão, oração e com a busca por Deus e por sua Palavra não posso esperar que outros o façam por mim. Por essa razão muitos passam anos na Igreja e permanecem como crianças espirituais. Querem a bênção mas não assumem a responsabilidade de crescer. Por isso Paulo diz a Timóteo: “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina; persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem.” I Timóteo 4:16

O crescimento espiritual é uma escolha e uma responsabilidade que precisa ser assumida por cada um de nós desde o momento de nossa conversão. É preciso que você reflita se tem assumido essa responsabilidade em sua vida.

2) Cuidar de outros: A segunda responsabilidade que precisamos assumir é a de cuidarmos uns dos outros.

Existem no Novo Testamento mais de 30 mandamentos de mutualidade, ou seja, que se referem ao que devemos fazer uns aos outros. Cuidar uns dos outros é a essência da manifestação do amor de Deus em nossas vidas. Servir, discipular, compartilhar, ensinar, exortar e disciplinar são alguns exemplos de cuidado mútuo que revelam verdadeiro amor, o amor que Jesus teve por nós ao deixar a sua glória e vir ao nosso encontro para nos resgatar.

A atitude mais nociva para o crescimento da Igreja é o desprezo pelo irmão. É o sentimento de que nada temos a ver uns com uns outros. Esse foi o comportamento de Caim, que tornou-se em o primeiro homicida: “E disse o Senhor a Caim: Onde está Abel, teu irmão? E ele disse: Não sei; sou eu guardador do meu irmão?” Gen. 4:9

Somos guardadores e cuidadores uns dos outros pois estamos ligados eternamente por meio do sangue de Jesus Cristo que nos resgatou e nos tornou irmãos.

Assumirmos essa responsabilidade trará crescimento para nós e para a Igreja.

Aprendemos mais quando ensinamos, temos mais alegria quando damos do que quando recebemos, somos recompensados pelo Senhor por tudo que fazemos “a um desses pequeninos” e crescemos em temor ao Senhor quando exortamos a outros.

Se queremos ser filhos maduros precisamos assumir a nossa responsabilidade. Se assim o fizermos certamente as bênçãos de Deus nos seguirão.

Oro para que você escolha ser parecido com Jesus e não com Esaú, um símbolo daqueles que querem a bênção sem a responsabilidade.

Que o Senhor te abençoe.

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